Conflito de interesses: o nepotismo na iniciativa privada

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Por Samuel Sabino

Um cenário comum em diversas empresas é o do nepotismo. Infelizmente, devido à falta de discussão da ética no meio corporativo, essa é uma clássica situação de conflito de interesses mal trabalhada e recorrente. Há uma falta de compreensão da situação e de como lidar com ela.

Importante deixar claro que não falo aqui de empresas familiares, algo muito comum em algumas redes de franquias, por exemplo. Isso é um modelo de trabalho onde não só a empresa, como o mercado com que ela se relaciona são cientes da situação da estrutura familiar, e possui uma dinâmica de relacionamento interna pronta a lidar com isso.

Falo da situação que envolve contratações privilegiadas através do “favor sanguíneo”, onde há um conflito de interesses entre o melhor para a empresa e o que é considerado um benefício particular a um membro da família, independente de suas habilidades para ocupar um cargo.

Quando há conflito de interesses, o benefício foge do fim último da empresa, que é se manter, ter lucro e crescer. Ele vem somente para a parte que age em favor próprio, no caso colocando alguém de sua família para trabalhar e dividir recursos e ganhos da empresa.

Claro que essa é apenas uma forma de conflito de interesses dentro das empresas, mas o escolhi como exemplo pela abrangência de sua discussão ética. Nesses casos, quando os interesses particulares de um elemento geram uma conduta viciosa ou danosa para a empresa, se deixa a imparcialidade, a justiça e a credibilidade de lado. Como consequência, há prejuízo.

Mesmo quando o contratado é bom profissional, ainda assim pode haver prejuízo para a empresa. Como a imagem da empresa fica, quando se sabe que aquele recém contratado só está ali por motivos de favoritismo, não ligados a suas reais capacidades? Acha que os clientes veem bem uma empresa que age assim? Acha que fornecedores confiam mais nela? E a equipe, como fica? Onde eles teriam confiança para apostar suas carreiras e dedicações? Com certeza não em uma empresa que pode deixá-los de lado em favor de um parente de funcionário em comando, simplesmente pelo fato de ele ser um parente.

Mas onde está a raiz do conflito de interesses? Justamente no momento em que o EU supera o NÓS como empresa. Evitar o duelo entre a vontade pessoal e a vontade da empresa é o ponto chave. Muitas empresas têm sérios problemas de conduta, mas nesse caso em específico, o problema é puramente daqueles que trabalham nela.

Se você, como funcionário, aceitou os termos e condições de trabalhar ali, seguindo aquele fim daquela empresa, enquanto se está dentro dela, seu dever é para com ela, não para consigo mesmo. O conflito de interesse parte da vontade. Na condição de profissionais, devemos prezar a postura correta e coerente.

O problema, e talvez a raiz do questionamento ético, é justamente que tudo parte da esfera pessoal em primeira instância. Não existe trabalhador que se levante pela manhã sem ir buscar o salário do sustento, da tranquilidade, da alegria. Tudo é motivado pelo EU. Tudo sempre é pessoal.

Porém, quando no mundo corporativo, o indivíduo assume a responsabilidade de agir de acordo com o grupo. É uma escolha consciente e racional. Ninguém é naturalmente profissional. Todos escolhem isso de maneira racional, pelos benefícios que o grupo traz no longo prazo. Escolhe-se a vontade da empresa sobre a sua própria, porque de certa forma foi sua vontade primária, e acima da atual, que escolheu estar naquela empresa. Foi sua escolha primeira que determinou isso.

Dentro de um regime democrático, o trabalhador está em uma empresa por uma necessidade ou até mesmo vontade maior do que a momentânea que gera o conflito de interesses. Logo, preservar a empresa é interesse primário do funcionário. Quando confrontado com a situação e conflito, a empresa deve ganhar, principalmente porque ela é quem garante a perpetração de seu contrato como assalariado.

É preciso produzir condutas de qualidade, esclarecendo os funcionários para buscar lidar com essas situações. No caso do nepotismo, o problema não é o parente em si como funcionário. Como dito antes, há empresas familiares que trabalham essa questão. O problema está na conduta de quem contrata.

Nesse caso, os motivos são o problema, já que quando há uma motivação baseada em competência, não importa o parentesco, mesmo que ele exista. Vê como o problema está mais ligado ao porque e não ao quem? Mas, como manter uma conduta ética sem o conflito de interesse, se quero contratar um parente, por competência, ou quero que ele também tenha uma chance no processo seletivo?

O grau de parentesco deve ficar claro desde o início. Se descobrirem mais tarde, isso pode gerar problemas. Uma saída saudável é contratar às claras, informando a empresa, avisando da capacidade do contratado, e até mesmo se retirar do processo de contratação para que a avaliação seja feita de forma imparcial por outro profissional.

Tudo é possível desde que certos princípios não sejam feridos. Está mais no como, na motivação e no processo, não na ação e contratação. Nepotismo é uma coisa, contratar um profissional que por acaso é seu parente é outra. O balanço entre pessoal e profissional é o que determina o conflito de interesse, é o epicentro da discussão.

É normal querer ajudar alguém da família, mas o fim último no momento é o bem estar do grupo empresa. Retirar-se do processo é realmente o melhor, e garante uma chance a esse profissional. Vê como é complexo? Como é difícil ponderar e absorver esse debate? É por isso que a ética como interiorização é tão valiosa para manter saudáveis as relações dentro das empresas.

Forte abraço

Samuel Sabino

Filósofo e Bioeticista

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Bioética Referencialista – Como pensar Eticamente

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Você sabe o que é Bioética? Já ouviu falar? Pois bem, no Programa Mercado Futuro, tivemos a oportunidade de falar da Bioética e o seu surgimento, assim como a contribuição da Bioética Principialista e Referencialista.

Forte abraço

Samuel Sabino

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Ética e Lei – Os caminhos da política

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No programa Estadão Discute, da TV Estadão, falamos sobre a decisão do procurador-geral, Rodrigo Janot, em relação ao presidente Michel Temer. Abordando a situação ética do ponto de vista dos políticos.

Forte abraço

Samuel Sabino

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Delito moral: a raiz da corrupção empresarial no “jeitinho brasileiro”

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Por Samuel Sabino

Nas redes sociais, na mídia e em todos os meios onde há voz, estão povoados de questionamentos, argumentações e até conflitos ligados ao que nós englobamos a esfera da corrupção. Haja vista os recentes escândalos envolvendo alimentos e operações da polícia federal.

O fato é que somos uma sociedade cada vez mais questionadora; inclinando nossa evolução rumo a um reflexo extremamente positivo. Um dos elementos centrais se dá pelo acesso à informação – que está cada vez mais fácil; e a postura de colocar pautas em discussão dentro do que é cotidiano como as redes sociais.

Estamos começando a aprimorar um processo de conscientização moral. Aos poucos afastamos nossos pensamentos de atitudes reprováveis que beiram a barbárie, porém ainda há um longo caminho a se percorrer. Isso porque muitas dessas posturas ainda estão ligadas às pessoas na forma de cultura. O famoso “jeitinho brasileiro” é algo cultural. O “malandro”, que aplica a antiga “lei de Gerson”, que busca levar vantagem em tudo, ainda é uma figura quase folclórica brasileira.

Não é a toa que dentro das empresas, de órgãos públicos, a preocupação com o benefício à curto prazo ainda é uma postura que leva à corrupção. O brasileiro é ensinado de pequeno que é errado ser deixado para trás, e que para evitar isso ele deve ser mais esperto e deixar os outros para trás antes. E é ai, nos pequenos delitos – nos “jeitinhos” -, que coisas que parecem pequenas e sem importância ganham o caráter das primeiras corrupções.

A raiz da corrupção não está ligada a qualquer golpe grande. A escala de um ato corrupto não pode ser medida apenas pelos milhões desviados, pelas milhões de pessoas afetadas. O ato mais simples tem repercussão e importância e planta raízes no que nem sempre é crime pela lei, mas muitas vezes é crime moral.

Um exemplo simples é o da procrastinação. Procrastinar não é algo que fere financeiramente ninguém na empresa, certo? Você conhece o tempo do seu trabalho; sabe que vai dar tempo para fazer tudo, então pode perder mais alguns minutos vendo um vídeo na internet, correto? Bom, na verdade se a sua empresa permite isso, então está mesmo certo.

Se a empresa reconhece que o bem estar do funcionário está ligado a essa liberdade de gerenciar o tempo; e que acredita que ele dará conta do trabalho e o fará melhor por poder relaxar, então isso não é uma postura errada. Agora, se a empresa não aprova isso; se ela até bloqueia a internet – mas o funcionário da um “jeitinho” através de qualquer ferramenta -, então não importa se o funcionário entrega tudo em dia – temos aqui um conflito de valor estabelecido.

A política da empresa proíbe aquilo; e mesmo que o funcionário terminasse todo o trabalho na metade do dia útil e ficasse “sem nada para fazer” mais 4 horas, não acessar o vídeo seria o correto. Ao driblar o sistema, o funcionário rouba da empresa. Rouba dela o tempo que ele vende como funcionário. Rouba dela recursos como banda de internet, energia elétrica. São valores ínfimos às vezes, mas ainda assim é um delito.

Talvez o chefe veja – saiba disso; o diretor também, assim como o dono. Talvez eles não se importem, porque também fazem isso. Mas nesse caso o certo seria alterar a política da empresa. De repente até liberar a internet. Mas enquanto a política não é alterada – mudança de valores – aquilo continua sendo um delito moral, mesmo que não seja reconhecível ou cobrado como delito legal – o ideal de uma boa política é aquela que as condutas apropriadas são antes passadas pelo crivo do acordo.

É nessas pequenas “tiradas de proveito” que nascem posturas de pensamento não refletido sobre o que é ético. É ai que começa a corrupção. Talvez precisemos rever metodologias de trabalho? Sim, é bem provável. Porém, enquanto isso não ocorre deve-se evitar o pequeno delito moral.

Tudo que começa a desrespeitar a postura ética, cresce como cultura para desrespeitar a postura legal. É assim que começa; e o fim está no mal-estar gerado a milhares de brasileiros que tem sua dignidade ferida através de “carnes podres”, fundos desviados e todas as outras grandes corrupções que mancham as páginas dos jornais.

Para mudar isso é preciso buscar uma compreensão profunda da ética. O meio empresarial é onde ela mais terá reflexo nos outros, mas ela sempre partirá de dentro da reflexão interna de cada pessoa. Empresas são grupos de pessoas em primeiro lugar e a moral está ligada ao modo de uma pessoa tratar a outra considerando o respeito ou responsabilidade acima de tudo.

Forte abraço

Samuel Sabino

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O Mestre entre as Virtudes e os Vícios das Condutas – Compreendendo a Ética

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Filme: Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera

Na Grécia antiga a preocupação dos gregos estava na formação do homem virtuoso (apesar do vídeo tratar-se de uma cultura budista o intuito é revelar a condição humana). É exatamente nesse ponto que começamos a compreender que a Ética ganha o seu verdadeiro espaço. Nossas condutas estão ora em virtudes, ora em vícios.

A passagem de um estado para o outro é a própria manifestação da Ética. Quando nos encontramos em condutas viciosas é a Ética – como ciência – que fará o papel de observar e propor aquilo que chamaríamos de boa conduta ou conduta virtuosa.

No entanto, superando o discurso da obviedade, o vídeo nos mostra que é muito provável que nós seres humanos venhamos a nascer viciosos. Por um único motivo; nascemos humanos, mas precisamos buscar a nossa humanidade. Note então que entre o humano e a humanidade está em mesma medida a saída dos vícios para as virtudes.

Superar o discurso da obviedade quer dizer que tanto a Ética como a própria virtude não é uma condição natural da existência do homem, mas uma condição que se conquista em um processo contínuo de esclarecimento, assim como afirmara o filósofo Immanuel Kant em seu texto intitulado “O que é Esclarecimento”.

No processo que se conquista – esclarece – o universo das relações humanas, ao mesmo tempo quebra-se o discurso da obviedade e por sua vez a banalização do tema. Percebemos que ao falar sobre a Ética, vamos desbanalizando e ganhando autonomia e responsabilidade sobre si mesmo e sobretudo o outro.

O papel do mestre revela exatamente esse momento. Ele reconhece a conduta viciosa do garoto – condição natural de sua própria existência – e na qualidade de tutor o esclarece e o emancipa sobre sua conduta inapropriada. Nesse caso foi usado o caminho da antipatia X empatia.

O entendimento da ética entre vícios X virtudes se revela também no discurso entre antipatia X empatia.

Muitas vezes não agimos com responsabilidade nas relações simplesmente porque não foi caracterizado na relação a empatia. Quando o mestre sensibiliza o pequeno garoto a sair de seu estado de antipatia – em relação aos animais – para o estado de íntima compaixão, ou seja, colocar-se no lugar do outro, o estado vicioso se extirpa para dar lugar a futuras condutas virtuosas.

No entanto, vale ressaltar que mesmo atingindo essa condição de empatia, o discurso ou conduta Ética não será garantido para as próximas relações, pois mesmo com a nova experiência de empatia o garoto terá sempre que se convidar a responsabilidade da conduta Ética. Dizendo e se convidando sempre a seguinte questão: – Estou eu disposto mais uma vez agir com responsabilidade diante deste novo fato? Quero eu nesse momento ser responsável?

Por fim, a Ética é para o homem um eterno convite. Por outro lado, a sua liberdade lhe dará o direito a se convidar ou não a Ética; seja por empatia ou pelo simples princípio de ser ético.

Forte abraço

Samuel Sabino

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Conheça o Nosso Projeto

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Meu nome é Samuel Sabino. Sou o fundador da Éticas Consultoria.

A éticas Consultoria surgiu dentro do Universo Acadêmico, em meio a aulas de filosofia e bioética. Com o passar dos anos a ética foi gradativamente se revelando e justificando sua verdadeira importância para as relações humanas.

Notei com o passar do tempo que o discurso da ética não era tão simples compreender e que a grande maioria das pessoas tinham uma perspectiva limitada ou distorcida sobre sua verdadeira natureza.

Percebi também que o acesso a este tipo de conhecimento, sobretudo acadêmico, era limitado a poucas pessoas. E que a grande maioria da população não tinha um nível suficiente de esclarecimento.

Foi exatamente ao identificar a carência e a necessidade de melhor esclarecer os assuntos acerca da ética que surgiu o projeto Éticas Consultoria, mais especificamente o INNER COMPLIANCE – IC.

O INNER COMPLIANCE da Éticas Consultoria – www.eticas.com.br – é acessível a qualquer público, no entanto, o IC foi elaborado para o ambiente corporativo.

Nesse sentido encontraremos no IC a linguagem direcionada para o ambiente de trabalho, mas, paralelamente, no VLOG temas gerais ou específicos sobre ética também acontecerão.

A ideia central é criar uma familiaridade com a ciência da conduta – ética -, para que a médio e a longo prazo se desenvolva em nosso país, nossas empresas, nossos relacionamentos, cada vez mais uma cultura ética.

O século XXI nos revela a cada ano que passa que não somente haverá uma necessidade de nos preocuparmos com a qualidade dos produtos e serviços, mas que também haja qualidade na produção das condutas, ou seja, cada vez mais relações com maior nível de conduta ética.

Sejam todos bem-vindos ao universo da ética, afinal, ética é a ciência da felicidade e todos, indiscutivelmente, a buscam em todo momento.

Forte abraço

Samuel Sabino

Filósofo e Bioeticista.

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