Bioética Referencialista – Como pensar Eticamente

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Você sabe o que é Bioética? Já ouviu falar? Pois bem, no Programa Mercado Futuro, tivemos a oportunidade de falar da Bioética e o seu surgimento, assim como a contribuição da Bioética Principialista e Referencialista.

Forte abraço

Samuel Sabino

Filósofo e Bioeticista

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O direito a mentir e a felicidade

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Por Samuel Sabino

Todo mundo mente. Algumas pessoas chegam a achar que a mentira é necessária e sustenta grande parte do convívio social. Normalmente apenas se diria que a mentira é má ou errada, mas o problema é que ela existe em situações ambíguas; onde há benefícios e malefícios, seja para o indivíduo mentiroso ou para o grupo enganado. A felicidade pode advir de uma mentira. Nada é preto no branco e é ai que entra a discussão ética, pois todos também querem ser felizes.

Não é esse o fim último da humanidade, buscar a felicidade? Isso levanta dúvidas difíceis de responder como: mentir é certo ou errado? Quando nos voltamos aos líderes, sejam eles de governos, de empresas, de grupos sociais, ela toma proporções ainda mais complexas, podendo constituir crime ou mesmo sustentar as crenças de muitos.

Em alguns casos específicos a mentira pode até mesmo ser aceita pela perspectiva ética. Obviamente quando existir com a finalidade de manter a dignidade, não ferindo a lei ou visando proteger a vida, por exemplo. Se uma pessoa chega à minha casa, fugindo de um criminoso que quer lhe fazer mal e eu a escondo, quando questionado pelo criminoso se ela estaria lá, especificamente nesse caso eu mentiria. A maioria das pessoas mentiriam.

Não é que haja mentiras boas ou mentiras más, exatamente. Existem consequências da mentira, e elas são boas ou más para um determinado número de pessoas e valores. Nesse caso, o valor é a vida, como valor máximo, e a consequência é o bem estar e a dignidade da pessoa escondida, aquilo que realmente se espera da vida. Percebe-se que em casos específicos, em prol da dignidade, a mentira é necessária.

Quando jogamos a mentira para a análise do olhar ético, ela assume essa dualidade. Se ela tem como fim último apenas vantagens pessoais ou imediatas e ainda fere a lei, ai sim, podemos julgá-la como antiética, potencialmente ilegal e consequentemente uma ação negativa, ou propriamente ruim.

A mentira nesses termos pode levar a muitas consequências negativas para a sociedade, já que geralmente ela não envolve apenas uma ou duas pessoas. Ela é uma das posturas antiéticas mais comuns. Ela vem do desejo de ter vantagem sobre o outro – a tal da ética menos nobre ou que pensa apenas em si mesmo ou no menor grupo de pessoas.

Vivemos em uma sociedade onde a mentira se torna cada vez mais inaceitável, considerando, sobretudo, líderes que são responsáveis por guiar o povo ao engano. Isso se aplica muito a condição atual da política e sociedade brasileira, que enfrenta escândalo após escândalo, investigação após investigação. Além de ilegal, a mentira do líder tem consequências catastróficas se tornada impune. Uma sociedade em que não se pode confiar está fadada ao colapso e isso começa por quem comanda.

Tome se como exemplo o caso da promessa: se todos mentissem a promessa perderia seu valor que, por sua vez, é o que proporciona confiança entre as partes. É o que entendemos como o bom e velho acordo entre as condutas. Você já parou para pensar se todas as pessoas ao mesmo tempo não confiassem mais nos bancos e retirassem simultaneamente os valores depositados em contas? Resultado: todos os bancos quebrariam em questão de horas.

Já na antiguidade, os filósofos gregos tinham como princípio que o ser humano era constituído de vícios e virtudes. Os vícios já nasciam com eles, enquanto que as virtudes eram ensinadas. Como seres viciosos, o erro, a mentira, a conduta inapropriada era algo natural, nos fazendo assim seres humanos incompletos; humanos para uma humanidade a se desenvolver.

Era através do esclarecimento que se aprendia e cultivava a virtude – extirpando os vícios quando identificados. Era através da virtude que se preservava a dignidade, pessoal e do próximo. Para Kant, filósofo da era moderna, isso era resultado de estarmos, como humanos, em uma menoridade moral. A maioridade viria com a prática ética. A saída de um estado para outro se dava exatamente no sentido de esclarecimento, verdadeira passagem para a maioridade.

Enquanto humanos nossas condutas geralmente se baseiam em dois princípios fundamentais de motivação para a conduta: ou agimos por empatia ou por respeito ao mero princípio ético. Quando agimos por empatia geralmente algum tipo de amor está envolvido e o fazemos por inclinação ao bem estar do próximo. Quando fazemos por ética pura, o que está enredado é o pensamento racional por onde é possível aplicar a moral pelo respeito ao princípio, mesmo que não se ame os envolvidos.

É a moral quem verdadeiramente sustenta a sociedade. A guia da conduta, mesmo quando se faz necessária a mentira, é a moral interiorizada. A barbárie se esgueira quando a ética falha ao não ser convidada ao protagonismo. É dever de todos meditarem sobre suas mentiras, sobretudo, os líderes que carregam vidas de muitos em sua responsabilidade. Para eles é de suma importância interiorizar a boa conduta, e do povo não tornar aceitável que se minta impunemente. A sociedade depende do peso e análise da ética, ou o futuro será a ruína.

Forte abraço

Samuel Sabino

Filósofo e Bioeticista

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A corrupção na cultura, visão e conduta empresarial: onde começou o caso Odebrecht?

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Por Samuel Sabino

O caso Odebrecht é talvez um dos maiores escândalos existentes na sociedade brasileira dos últimos tempos. Tanta comoção só foi equiparada a acontecimentos como o Mensalão, e foi graças à notoriedade de fatos como esses que hoje muito mais atenção é voltada a discussões de grandes episódios de corrupção. Pode se dizer que eles abriram os olhos da população para reflexões produtivas em cima da conduta moral das empresas e governos. No cunho empresarial, a imagem da empresa se desgastou de tal forma que o próprio mercado enfrenta uma reeducação de suas posturas éticas. Muitas organizações buscam se prevenir, mas a maioria ainda está só no começo da compreensão de que essa não é uma discussão legal, e sim moral.

Para analisarmos esse problema é preciso considerar alguns elementos. No mundo natural encontramos constantemente o movimento de causa e efeito, inclusive nas relações humanas. Cada ação advinda dessa relação é definida por uma conduta. Quando questionamos o valor de uma conduta, no caso a ação de corrupção, temos de buscar seu motivador. Aqui podemos considerar três princípios motivadores fundamentais: (1º) apenas eu sou merecedor de bem estar e dignidade; (2º) a maioria das pessoas é merecedora desse mesmo bem estar e dignidade; (3º) todos são detentores de dignidade e merecem bem estar.

O primeiro princípio, o puramente egoísta, está muitas vezes interligado ao poder. Muitos que usufruem desta qualidade de princípio para conduzir suas ações, a fim de conquistar o seu objetivo, poderá afirmar tranquilamente que os fins justificam os meios, já que o fim aqui é conquistar ou manter o poder. Ainda que ele possa ferir a felicidade ou dignidade daqueles a seu redor, a seus olhos sua conduta é confortavelmente justificada. Seu pensamento é: ”fiz o que fiz porque desejei a minha felicidade, o meu poder, naquele exato momento”. Esse indivíduo pensa em curto prazo, se tornando incapaz de abrir mão da própria soberania. É aqui que as empresas corruptas se posicionam.

O segundo princípio, o de buscar a felicidade do maior número de pessoas, já despotencializa o primeiro, que é puramente egoísta. Nota-se aqui uma significativa evolução rumo ao que entendemos por humanidade, mas que ainda não abarca o todo. Apesar dos esforços, o “todo” é difícil de atingir, principalmente pela inegável dificuldade em equilibrar igualdade e equidade nas condutas. Apesar disso, já um pensamento melhor do que o anterior. É aqui que a maioria das empresas acaba se posicionando.

O terceiro princípio, o que reconhece que todos são detentores de dignidade, é o mais nobre. Apesar da sua grande dificuldade em superar sua própria condição utópica, ele não deixa de ser o grande objetivo para um mundo verdadeiramente justo para todos. Ainda que sua condição seja ideal, mas impossível 100%, ele é o princípio que deverá nortear todas as condutas, buscando a convivência mais plena e digna. Trocando em miúdos, o mínimo que podemos estabelecer enquanto ético é o segundo princípio, mas sempre na tentativa de conquistar o terceiro. Na segunda postura há uma ética que mostra entendimento, e na terceira, a busca pelo esclarecimento, uma verdadeira maturidade intelectual sobre a ética.

Dessa forma, podemos entender que o caso Odebrecht começou quando as ações estavam ligadas ao primeiro princípio, que considera os interesses pessoais como sua guia de ação. Mesmo quando um grupo é beneficiado é somente uma minoria. Ou seja, nem atinge à segunda proposta de conduta, onde ao menos a maioria é beneficiada. O fato começa na ética menos nobre, na moral egoísta ou na ausência de moral.

Isso nos leva à consideração de outro aspecto da situação, o do tipo de visão que motivou essa conduta: a visão em curto prazo. Esse tipo de visão deixa armadilhas a médio e em longo prazo, sobretudo em situações que mais tarde serão punidas pela lei, sem contar o comprometimento da imagem da empresa. O fator seguinte é o da cultura. Entende-se como qualidade da cultura dessa empresa que, ao menos naquele momento ou gestão, ela tem um comando egocêntrico e individualista – já que isso parte do princípio de pensamento de quem está nessa posição de decisão e quer manter ou conquistar o poder a todo custo.

Disso surge o problema que levou à Odebrecht a enfrentar toda essa situação. Visão somada a conduta e cultura alinhadas a esses valores negativos, geraram a corrupção. Entende-se corrupção como um ato de deterioração (do nome da empresa), de modificação (do fim ultimo da empresa que era ser uma construtora) e adulteração (quando se sai dos interesses maiores da empresa para se atender aos interesses de um grupo menor de pessoas).

Isso nos ajuda a entender e a elucidar que não foi a empresa Odebrecht que foi corrupta. Há uma gama de funcionários e até de ações positivas que compõem a empresa, que nada tinham a ver com isso. A corrupção vem do grupo de “governantes”, representantes ou líderes daquela específica gestão da empresa. A empresa é muito mais do que eles; apesar de que foram eles que conduziram a atitudes corruptas. Eles corromperam o propósito da organização para um fim particular, através de, por exemplo, o uso de suborno ativo ou passivo.

Por fim, analisando todos esses fatores, chegamos a conclusão de como prevenir situações semelhantes: respeitando o fim último da empresa. Como organização ela tem responsabilidades como continuar existindo a curto, médio e longo prazo. Ela deve trazer lucro, exercer sua função proposta, manter-se contínua. Para que isso seja feito é preciso que haja na empresa uma cultura que considera fomentar o diálogo da ética em nível de entendimento e, posteriormente, esclarecimento. Esse é o ideal para que se mantenha a dignidade humana, que é o propósito final da ética como já dizia o filósofo Immanuel Kant. A dignidade constrói uma sociedade saudável e quando as empresas são guiadas por essa máxima elas se mantem livres de corrupção, respeitando a moral antes da lei, evitando que até mesmo essa seja quebrada.

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Samuel Sabino

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