Compliance – Respeito às normas de conduta

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Samuel Sabino

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Suborno: uma ferida ética que pode matar sua empresa

 

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Suborno: uma ferida ética que pode matar sua empresa

 Por Samuel Sabino

 A maioria dos crimes de corrupção, sobretudo os que se concentram no alto escalão das empresas e da política, envolvem o suborno. Essa, infelizmente, é uma prática comum em diversos países, esferas e existe desde quase sempre. A ideia de se ganhar algo “a mais”, do que o combinado parece até natural em algumas negociações.

Não é incomum que negócios sejam fechados em algumas empresas, enquanto um “bônus” é negociado em meio a festas com prostitutas e drogas, que também integram parte das táticas de convencimento do cliente, e é claro do suborno. A vantagem tem que ser observada. O caso é que tais métodos são, muitas vezes, ilegais, mas em sua totalidade antiéticos.

A vida profissional é feita de escolhas. Estamos o tempo inteiro escolhendo, e com isso construindo nossa conduta. Diversos pormenores envolvem cada situação, e o limite entre e o ético e o antiético, o legal e o ilegal, muitas vezes é tênue. Nem sempre são situações escrachadas como a que citei acima. Se fosse simples escolher não haveria porque falar de suborno, ou questionar atitudes que constroem uma conduta antiética.

O caso é que mesmo que se respeite a lei, a postura que foge da ética ainda marca a empresa, criando uma ferida que pode fazê-la sangrar sem que se perceba, e quando uma situação de definição se apresentar, a empresa pode não resistir à reputação que se criou em cima dela.

Dentro dos projetos e seus prazos e orçamentos, transitamos entre ações de responsabilidade. Ao questionar o suborno com prática dentro de empresas e organizações públicas, questionamos a responsabilidade que foi ou não levada em conta em uma decisão. Uma empresa irresponsável se faz pouco confiável, indigna de novos clientes e por vezes abandonada por clientes antigos.

Há duas questões a se considerar no quadro geral: a reputação e o suborno. A reputação considera o agora e o médio/longo prazo, determinando uma visão micro e macro das situações. É preciso considerar uma dupla reflexão, considerando vantagens e desvantagens do agora e do depois para que se tome uma decisão que não afete negativamente a reputação de uma empresa.

Já o suborno, em si, nada mais é do que receber ou oferecer algo de valor aonde se responde a expectativas egocêntricas de imediato, em curto prazo. O suborno está ligado a vantagens de um diminuto grupo de pessoas. O suborno só considera o universo micro das situações. O ganho imediato ofusca de forma a seduzir, sem pensar que consequências posteriores podem custar vidas, empregos, mais dinheiro, e até mesmo a própria empresa.

A conduta, idealmente, deve transitar pela lei e ética. No caso da lei, quando esta é quebrada há consequências mais imediatas, como multas, dívidas ou perdas. Ele traz grandes prejuízos e por isso o suborno nem sempre transgride sua esfera, pois as consequências são pesadas. É por isso que o campo fértil é quando o suborno esbarra no antiético apenas, pois suas consequências são menos imediatas, não geram prejuízos em curto prazo ligados ao crime.

A lei responde com a multa, e a ética com valores e a identidade da empresa. O problema é que esse ultimo não é visível “no bolso”, por assim dizer. Ao menos não diretamente, já que a reputação começa a ser afetada, e ai sim, contratos novos serão perdidos.

Sempre que se está diante de uma situação de suborno se deve considerar: a prudência, a honestidade, autenticidade (não quebrar protocolos), a responsabilidade. Se você consegue convidar esses quatro princípios à sua tomada de decisão eles te blindarão contra uma atitude do suborno no âmbito ético.

É necessário que essas coisas sejam trazidas à discussão para o esclarecimento. Pensar o suborno é conduzir uma empresa de forma realmente honesta no dia a dia. É importante lembrar que a ética antecede a lei, e por isso que sendo ético não se fere a lei, e há a certeza de que tanto no imediato, quanto no futuro, a empresa não sofrerá por atitudes mal tomadas no presente.

A quebra da reputação raramente é recuperada, sobretudo quando se tratando de suborno. Isso deveria ser mais questionado no dia a dia empresarial, afinal dentre todos os funcionários, ate que ponto isso é claro em cada um? Alguém já questionou isso dentro de sua empresa? Se não, o que é a maioria dos casos, sua empresa está vulnerável e suscetível ao suborno e outras práticas de corrupção.

É papel da ética interiorizar isso, gerando valores na empresa que a acompanharão para um futuro próspero e sem riscos.

 

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Fraude nos registros corporativos: um dilema ético

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Por Samuel Sabino

Suponhamos que você é novo na empresa. Talvez tenha acabado de subir de cargo e ganhou novas responsabilidades administrativas. O caso é que se deparou com um dilema ético: fraudes em registros corporativos. Eles podem vir de diversas maneiras e até podem compor erros não intencionais, mas geralmente são financeiros e propositais. Você está de frente para a questão: agir de acordo com a lei e denunciar a situação e com isso potencialmente perder seu emprego e até levar a empresa a fechar; ou entrar no esquema e ficar calado, alimentando mais e mais a fraude.

Não é uma questão fácil. O fato é que a lei pode ser a resposta politicamente correta, mas talvez o peso do desemprego de centenas de pessoas e suas famílias pese mais em sua ponderação do que a própria lei. Talvez a quebra da expectativa do seu próprio sonho de crescer como profissional seja outro fator. O caso é que o dilema não é legal, embora a situação seja um problema da lei. O dilema é moral e é seu, como funcionário – independente da visão profissional ou pessoal que venhamos a ter sobre isso.

Nesse contexto é importante trazer de volta a reflexão ética para o meio corporativo. E foi justamente para isso que a Éticas Consultoria nasceu. Além disso, ela se propõe a dar mais um passo em busca da interiorização da ética, buscando o aprendizado lúdico capaz de esclarecer a postura empresarial. Ela existe justamente para apoiar esse momento que você leitor vive – como pensar a melhor escolha.

Por ser um dos casos mais complexos, é justamente por ele que começo meu curso: a fraude. A fraude é algo interiorizado na sociedade brasileira através do famoso “jeitinho”. Ela nada mais é do que alterar os registros de dados da empresa a fim de ganhar algo com isso. O fraudador sabe bem o porquê de estar fazendo isso e sua prática criminosa é pensada; proposital. Mas e aquele que se depara com a fraude? E aquele que é obrigado a propagá-la? Ou cometê-la?

Talvez seja possível despertar a reflexão mesmo naquele que iniciou o problema, mas para isso é preciso mudar algo muito complexo: a maneira de ver o mundo dessa pessoa. Sendo assim, é mais simples começar por aqueles que estão dispostos a se confrontar com esse dilema, embora o texto não seja exclusivamente para eles. É difícil combater o “jeitinho brasileiro”. É algo enraizado culturalmente na nação. Porém, não é uma questão de natureza do povo brasileiro, e sim apenas uma questão da atual condição de não esclarecidos.

Não somos desonestos por natureza, embora em alguns casos falte a clareza da reflexão e da interiorização desse dilema às pessoas envolvidas. Quando a fraude parte dos proprietários da empresa é um caso mais complicado. Mas quando ela parte de um funcionário é até mais simples se livrar do problema, pois há um culpado e isso não faz parte do core da companhia.

Entretanto, vamos tratar o problema de forma mais íntima, com maior profundidade. A atitude daquele que modifica os dados da empresa e até mesmo coage o outro a acompanhá-lo – muitas vezes pela força do poder hierárquico – é baseada puramente da ideia do lucro mais fácil e rápido, onde o benefício próprio é muito maior e imediato. A isso, mesmo que haja uma condenação da empresa no futuro ou o prejuízo para o próximo, no caso seu subordinado.

O pensamento imediatista impede essa pessoa de ver que a perpetuação da empresa é mais lucrativa e importante do que aquele momento de “oportunidade”. Outro fator a se considerar está no fato de que nem todo aquele que frauda pretende roubar a empresa. Às vezes aspira apenas o crescimento da corporação. Seu objetivo final é driblar dificuldades legais e éticas para alcançar o sucesso da organização. Isso por que: ou ele não quer esperar o momento correto do crescimento e deseja acelerar; ou vê uma impossibilidade e quer tirá-la do caminho através de trapaça. Alguns podem até achar que agir dessa forma beneficiará a empresa e seus colaboradores no futuro, mas isso não é verdade, é um equivoco de julgamento corporativo.

Acima de qualquer atitude se deve considerar a lei e a ética. Para os fraudadores o que importa é somente o resultado. Não considerando as formas de se conquistar o objetivo maior da empresa. O ponto é que, nossa sociedade que se encontra em transição, conectada e alinhada com ideais éticos, nos inclina cada vez mais a fazer o que é certo, pois nota-se que a longo prazo os prejuízos serão maiores do que os lucros.

Pensar a médio e a longo prazo é o que figura, primariamente, essa reflexão ética. Vale a pena ver a empresa investigada no futuro? Condenada a fechar as portas? Pagar multas milionárias? Sacrificar empregos? Ir preso? Até gigantes do mercado como os representantes da família Batista – do Grupo JBS – e políticos de renome, como o ex-presidente Lula, são alvos de investigação hoje em dia.

A sociedade cada vez mais está se tornando intolerante com aqueles que a prejudicam. Com o tempo mais se tem dado importância para a postura ética – as boas práticas e condutas. A exatidão dos dados, a segurança da não-fraude, tornam a empresa uma representante de um dos maiores valores do mercado: a confiança. Todo o mercado financeiro é baseado na confiança. É em cima dela que se construiu uma sociedade de informação conectada.

Se a confiança se justifica com a não mentira como a protagonista diante de fraudes nos registros corporativos, podemos considerar como coadjuvantes e aliados, princípios secundários a essa confiança. Por exemplo: a prudência. Ela ditará que a garantia do futuro valerá mais do que o benefício presente. Outro importante coadjuvante é a autenticidade, que por sua vez está fortemente ligado ao que é ser uma empresa confiável no mercado. Por último considere também a vulnerabilidade. Deixar sua empresa vulnerável é basicamente condená-la a morte, pois o mercado está sempre em movimento. No fim, tudo que está errado acaba tendo consequências.

As últimas crises e bolhas que geraram problemas globais na economia ocorreram por causa de vulnerabilidades criadas por posturas antiéticas. Então, estando de frente para uma situação como essa, mesmo que o melhor a se fazer seja o óbvio no quesito legal, no momento em que se questionar se isso é realmente o melhor, busque sempre a reflexão ética. Com ela você encontrará todos os porquês, todos os detalhes, permitindo ir além.

“O que fazer quando deparado com essa situação?” é uma pergunta importante, mas acima dela é preciso interiorizar a reflexão ética do “Por que não fraudar?”, ou mesmo “O que me convidaria a não mentir?”. Somente entendendo a fundo as razões racionais e lógicas da ética na sociedade é que se tornará possível mudar as posturas inadequadas. Fazer apenas porque é a lei não basta mais para a sociedade. Se deve fazer por convicção, compreensão, em uma palavra, por sensibilização ética. Potencializando assim a dinâmica do mundo. Esse é o começo da reflexão que proponho em meu curso. É apenas a ponta do iceberg, mas um começo para trilhar o caminho da humanidade e um país mais justo.

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A Mentira na Sociedade

 

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Na ocasião tivemos a oportunidade de um breve bate-papo sobre a Ética na Sociedade. Falamos sobre a mentira e como ela pode nos levar a felicidade ou não. De como a sociedade cada vez mais se tornará intolerante com os velhos intolerantes.

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O Preço da Corrupção – Nosso Programa-RIT

 

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Tivemos a oportunidade de falar sobre: “O Preço da Corrupção” no Programa – NOSSO PROGRAMA com Jaqueline no canal RIT.

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Século XXI: a era da intolerância aos intolerantes

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Por Samuel Sabino

Antigamente, pouco se questionava sobre as consequências de determinadas ações intituladas de “brincadeiras” que tinham como característica alguma demonstração de preconceito, ofensa ou degradação envolvendo alguém ou algum grupo. Termos como o Bullying não estavam na pauta diária e os limites para o que era considerado humor estavam fracamente conceituados. Simplesmente não se pensava nas consequências de tratar certos assuntos e grupos sociais como inferiores através de uma “piada”. Não se enxergava a opressão que roubava a dignidade. A postura moral era ignorada, alimentando, até inconscientemente, comportamentos nocivos.

Felizmente, vivemos em tempos onde o olhar em cima dessas situações se tornou crítico, mais esclarecido e mais atento aos erros passados. Muitos ainda dizem “o mundo está ficando sem graça” ou “tudo é polêmica”, mas a questão é que em diversos níveis é preciso que haja reflexão real e a maioria das pessoas já começa a se dar conta disso trazendo à pauta pontos que antes eram considerados “inofensivos”, mas que perpetuavam estereótipos, preconceitos e até mesmo crimes.

Com os tempos mudando, fazer uma piada com o antissemitismo, ou atrelada ao Nazismo em algum nível, pode parecer algo impensável, já que em relação a esse assunto há quase uma unanimidade quanto a absurdo que isso seria. No entanto, no começo de 2017, Feliz Kjellberg, o Pewdiepie, que é o Youtuber mais popular do mundo, com 50 milhões de inscritos em seu canal, mostrou em um de seus vídeos, dois indianos segurando um cartaz onde estava escrito “Morte à todos os judeus” e tratou a situação como uma piada. Como consequência, ele perdeu seu patrocínio com a Disney e com o Youtube, além é claro de milhares de inscritos.

Mas como se chegou ao absurdo de até mesmo isso ser considerado “piada” pelo Youtuber? Simples. A falta de ética na cultura vem tratando como inofensivas diversas posturas onde a dignidade é deixada de lado. É apenas uma questão de encadeamento do pensamento. Acostumados a abandonar a dignidade de um grupo para manter uma “piada”, aos poucos se chega a fazer o mais absurdo e transformar o ódio aos judeus em algo aceitável novamente. Não estou dizendo que por causa disso vai acontecer um novo Holocausto. Apenas que o reforço em uma cultura de preconceito evoluí, se aprofunda, e por fim faz vítimas. E é isso que já não é mais permitido hoje em dia. Não vivemos mais em uma época onde oprimir um grupo é algo que pode ser considerado “engraçado”. No pseudo humor do Youtuber, aquilo era algo divertido. No mundo real, foi preconceito e apologia a uma das maiores atrocidades já realizadas pela humanidade.

O debate correu solto pelas redes sociais e mídias, já que vivemos tempos de discussões sobre limites entre crítica, humor e perpetração de preconceito ou práticas nocivas. Hoje, já não é aceitável fazer “piadas” com negros, homossexuais, mulheres, por exemplo. A sociedade chegou a um ponto de consciência moral que entende como isso é prejudicial, como é ofensivo e venenoso, não só aos grupos alvo, mas a todos como seres humanos. Não se pode permitir que atitudes como essa fiquem impunes, porque o pensamento da sociedade está mudando, se alinhando à moral positiva.

O espaço para esse tipo de atitude já não existe e, cada vez mais, o debate saudável encontra limites construtivos para perpetuar a dignidade humana e o respeito. Como consequência, até as empresas estão mais cautelosas com relação a quem associam seu nome, fazendo com que não importasse para a Disney os milhões de inscritos do Pewdiepie e sim a imagem que ela estaria passando a seus consumidores se apoiasse essa postura. A ética ganha novo lugar nas relações empresariais porque ela já vem ganhando lugar de destaque nas relações sociais, culturais e, por fim, humanas.

Na história da humanidade sempre houve o opressor e o oprimido. O universo animal sempre se apoiou na lei do mais forte, porém, para os seres humanos isso não é válido, pois não somos apenas dotados de dignidade, mas  reclamantes da mesma e seres de raciocínio. A lei busca nos proteger, mas é na moral que somos defendidos dos erros passados e presentes que estão enraizados como cultura. O esclarecimento se conquista aos poucos e é podando atitudes como essa que se evita novos “Holocaustos”. A maioria das pessoas não sabe, mas a Eugenia, que inspirou as atitudes de Hitler, tem seu pai em Francis Galton, um inglês, e sua prática como um ato de “limpeza genética”, com direito a castração química, começou nos Estados Unidos pré Segunda Guerra.

O que se tornou um massacre partiu de ideias praticadas por grupos que mais tarde foram aclamados como heróis. Isso levanta a questão sobre onde começam ações hediondas e o cuidado que se deve ter na hora de manter e conquistar respeito e dignidade para o ser humano. Atitudes de violência à dignidade devem ser combatidas com esclarecimento, com ética, com mudança moral. A postura da Disney é louvável no sentido de transformar em empresarial as consequências da irresponsabilidade moral. Grandes ações de crueldade são evitadas com posturas tolerantes diárias.

Curiosamente, foi no pós Segunda Guerra, com o Código de Nurembergue, que o mundo começou a mudar. A passagem da era do consumo para a da informação, nos anos 1990, também foi um forte fator. Com isso passou-se a refletir em cima do poder que a impunidade dava aos intolerantes e isso nos levou a uma evolução histórica que está culminando nessa primeira metade do século XXI.

Quando a mudança é legal apenas, isso não se reflete no comportamento real da sociedade, mas quando o esclarecimento é moral e, por sua vez, gera ações éticas, se repensa o que aconteceu. As ideias de eugenia foram quase extintas. O acesso a informação gerou conhecimento e debate. Tudo como reflexo da compreensão de onde aquela postura levou a humanidade. Graças ao acesso à informação, trazido pela internet, o oprimido ganhou voz, se tornou protagonista e inclusive pode dizer ao opressor que atitudes pequenas como uma “piada” reforçavam culturas de perda de dignidade.

Hoje, se entende a necessidade de considerar o ser humano como fim último do esclarecimento como ferramenta de crescimento. O século XXI é detentor de uma sociedade intolerante à intolerância e esse é um dos primeiros passos para criar gerações mais conscientes, mais cheias de ética nas posturas. Está na informação da ética, a raiz motora de todo movimento igualitário e discussão que leva nossa sociedade a uma era de dignidade.

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Metro News – Odebrecht Quis Ser Soberana

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Entrevista concedida ao Jornal Metro News

METRO NEWS - Entrevista - 2404 - Odebrecht quis ser soberana - httpwww.metronews.com.brwp-contentuploads201704metronews-24-04-2017.pdf

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Corrupção e Conduta Empresarial no Escândalo da Odebrecht – Jornal da Record Notícias

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Publicado em 23 de abril de 2017

Entrevista com Heródoto – Jornal da Record News

O escândalo que ENVOLVE a Odebrecht em Esquemas de propina com Políticos de todo o Brasil ganhou repercussão mundial e Uma série de consequências para a Política e Economia do País. Para falar sobre uma conduta empresarial da empreiteira, Heródoto Barbeiro recebeu o filósofo e professor Samuel Sabino. Acompanhe.

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A corrupção na cultura, visão e conduta empresarial: onde começou o caso Odebrecht?

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Por Samuel Sabino

O caso Odebrecht é talvez um dos maiores escândalos existentes na sociedade brasileira dos últimos tempos. Tanta comoção só foi equiparada a acontecimentos como o Mensalão, e foi graças à notoriedade de fatos como esses que hoje muito mais atenção é voltada a discussões de grandes episódios de corrupção. Pode se dizer que eles abriram os olhos da população para reflexões produtivas em cima da conduta moral das empresas e governos. No cunho empresarial, a imagem da empresa se desgastou de tal forma que o próprio mercado enfrenta uma reeducação de suas posturas éticas. Muitas organizações buscam se prevenir, mas a maioria ainda está só no começo da compreensão de que essa não é uma discussão legal, e sim moral.

Para analisarmos esse problema é preciso considerar alguns elementos. No mundo natural encontramos constantemente o movimento de causa e efeito, inclusive nas relações humanas. Cada ação advinda dessa relação é definida por uma conduta. Quando questionamos o valor de uma conduta, no caso a ação de corrupção, temos de buscar seu motivador. Aqui podemos considerar três princípios motivadores fundamentais: (1º) apenas eu sou merecedor de bem estar e dignidade; (2º) a maioria das pessoas é merecedora desse mesmo bem estar e dignidade; (3º) todos são detentores de dignidade e merecem bem estar.

O primeiro princípio, o puramente egoísta, está muitas vezes interligado ao poder. Muitos que usufruem desta qualidade de princípio para conduzir suas ações, a fim de conquistar o seu objetivo, poderá afirmar tranquilamente que os fins justificam os meios, já que o fim aqui é conquistar ou manter o poder. Ainda que ele possa ferir a felicidade ou dignidade daqueles a seu redor, a seus olhos sua conduta é confortavelmente justificada. Seu pensamento é: ”fiz o que fiz porque desejei a minha felicidade, o meu poder, naquele exato momento”. Esse indivíduo pensa em curto prazo, se tornando incapaz de abrir mão da própria soberania. É aqui que as empresas corruptas se posicionam.

O segundo princípio, o de buscar a felicidade do maior número de pessoas, já despotencializa o primeiro, que é puramente egoísta. Nota-se aqui uma significativa evolução rumo ao que entendemos por humanidade, mas que ainda não abarca o todo. Apesar dos esforços, o “todo” é difícil de atingir, principalmente pela inegável dificuldade em equilibrar igualdade e equidade nas condutas. Apesar disso, já um pensamento melhor do que o anterior. É aqui que a maioria das empresas acaba se posicionando.

O terceiro princípio, o que reconhece que todos são detentores de dignidade, é o mais nobre. Apesar da sua grande dificuldade em superar sua própria condição utópica, ele não deixa de ser o grande objetivo para um mundo verdadeiramente justo para todos. Ainda que sua condição seja ideal, mas impossível 100%, ele é o princípio que deverá nortear todas as condutas, buscando a convivência mais plena e digna. Trocando em miúdos, o mínimo que podemos estabelecer enquanto ético é o segundo princípio, mas sempre na tentativa de conquistar o terceiro. Na segunda postura há uma ética que mostra entendimento, e na terceira, a busca pelo esclarecimento, uma verdadeira maturidade intelectual sobre a ética.

Dessa forma, podemos entender que o caso Odebrecht começou quando as ações estavam ligadas ao primeiro princípio, que considera os interesses pessoais como sua guia de ação. Mesmo quando um grupo é beneficiado é somente uma minoria. Ou seja, nem atinge à segunda proposta de conduta, onde ao menos a maioria é beneficiada. O fato começa na ética menos nobre, na moral egoísta ou na ausência de moral.

Isso nos leva à consideração de outro aspecto da situação, o do tipo de visão que motivou essa conduta: a visão em curto prazo. Esse tipo de visão deixa armadilhas a médio e em longo prazo, sobretudo em situações que mais tarde serão punidas pela lei, sem contar o comprometimento da imagem da empresa. O fator seguinte é o da cultura. Entende-se como qualidade da cultura dessa empresa que, ao menos naquele momento ou gestão, ela tem um comando egocêntrico e individualista – já que isso parte do princípio de pensamento de quem está nessa posição de decisão e quer manter ou conquistar o poder a todo custo.

Disso surge o problema que levou à Odebrecht a enfrentar toda essa situação. Visão somada a conduta e cultura alinhadas a esses valores negativos, geraram a corrupção. Entende-se corrupção como um ato de deterioração (do nome da empresa), de modificação (do fim ultimo da empresa que era ser uma construtora) e adulteração (quando se sai dos interesses maiores da empresa para se atender aos interesses de um grupo menor de pessoas).

Isso nos ajuda a entender e a elucidar que não foi a empresa Odebrecht que foi corrupta. Há uma gama de funcionários e até de ações positivas que compõem a empresa, que nada tinham a ver com isso. A corrupção vem do grupo de “governantes”, representantes ou líderes daquela específica gestão da empresa. A empresa é muito mais do que eles; apesar de que foram eles que conduziram a atitudes corruptas. Eles corromperam o propósito da organização para um fim particular, através de, por exemplo, o uso de suborno ativo ou passivo.

Por fim, analisando todos esses fatores, chegamos a conclusão de como prevenir situações semelhantes: respeitando o fim último da empresa. Como organização ela tem responsabilidades como continuar existindo a curto, médio e longo prazo. Ela deve trazer lucro, exercer sua função proposta, manter-se contínua. Para que isso seja feito é preciso que haja na empresa uma cultura que considera fomentar o diálogo da ética em nível de entendimento e, posteriormente, esclarecimento. Esse é o ideal para que se mantenha a dignidade humana, que é o propósito final da ética como já dizia o filósofo Immanuel Kant. A dignidade constrói uma sociedade saudável e quando as empresas são guiadas por essa máxima elas se mantem livres de corrupção, respeitando a moral antes da lei, evitando que até mesmo essa seja quebrada.

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Delito moral: a raiz da corrupção empresarial no “jeitinho brasileiro”

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Por Samuel Sabino

Nas redes sociais, na mídia e em todos os meios onde há voz, estão povoados de questionamentos, argumentações e até conflitos ligados ao que nós englobamos a esfera da corrupção. Haja vista os recentes escândalos envolvendo alimentos e operações da polícia federal.

O fato é que somos uma sociedade cada vez mais questionadora; inclinando nossa evolução rumo a um reflexo extremamente positivo. Um dos elementos centrais se dá pelo acesso à informação – que está cada vez mais fácil; e a postura de colocar pautas em discussão dentro do que é cotidiano como as redes sociais.

Estamos começando a aprimorar um processo de conscientização moral. Aos poucos afastamos nossos pensamentos de atitudes reprováveis que beiram a barbárie, porém ainda há um longo caminho a se percorrer. Isso porque muitas dessas posturas ainda estão ligadas às pessoas na forma de cultura. O famoso “jeitinho brasileiro” é algo cultural. O “malandro”, que aplica a antiga “lei de Gerson”, que busca levar vantagem em tudo, ainda é uma figura quase folclórica brasileira.

Não é a toa que dentro das empresas, de órgãos públicos, a preocupação com o benefício à curto prazo ainda é uma postura que leva à corrupção. O brasileiro é ensinado de pequeno que é errado ser deixado para trás, e que para evitar isso ele deve ser mais esperto e deixar os outros para trás antes. E é ai, nos pequenos delitos – nos “jeitinhos” -, que coisas que parecem pequenas e sem importância ganham o caráter das primeiras corrupções.

A raiz da corrupção não está ligada a qualquer golpe grande. A escala de um ato corrupto não pode ser medida apenas pelos milhões desviados, pelas milhões de pessoas afetadas. O ato mais simples tem repercussão e importância e planta raízes no que nem sempre é crime pela lei, mas muitas vezes é crime moral.

Um exemplo simples é o da procrastinação. Procrastinar não é algo que fere financeiramente ninguém na empresa, certo? Você conhece o tempo do seu trabalho; sabe que vai dar tempo para fazer tudo, então pode perder mais alguns minutos vendo um vídeo na internet, correto? Bom, na verdade se a sua empresa permite isso, então está mesmo certo.

Se a empresa reconhece que o bem estar do funcionário está ligado a essa liberdade de gerenciar o tempo; e que acredita que ele dará conta do trabalho e o fará melhor por poder relaxar, então isso não é uma postura errada. Agora, se a empresa não aprova isso; se ela até bloqueia a internet – mas o funcionário da um “jeitinho” através de qualquer ferramenta -, então não importa se o funcionário entrega tudo em dia – temos aqui um conflito de valor estabelecido.

A política da empresa proíbe aquilo; e mesmo que o funcionário terminasse todo o trabalho na metade do dia útil e ficasse “sem nada para fazer” mais 4 horas, não acessar o vídeo seria o correto. Ao driblar o sistema, o funcionário rouba da empresa. Rouba dela o tempo que ele vende como funcionário. Rouba dela recursos como banda de internet, energia elétrica. São valores ínfimos às vezes, mas ainda assim é um delito.

Talvez o chefe veja – saiba disso; o diretor também, assim como o dono. Talvez eles não se importem, porque também fazem isso. Mas nesse caso o certo seria alterar a política da empresa. De repente até liberar a internet. Mas enquanto a política não é alterada – mudança de valores – aquilo continua sendo um delito moral, mesmo que não seja reconhecível ou cobrado como delito legal – o ideal de uma boa política é aquela que as condutas apropriadas são antes passadas pelo crivo do acordo.

É nessas pequenas “tiradas de proveito” que nascem posturas de pensamento não refletido sobre o que é ético. É ai que começa a corrupção. Talvez precisemos rever metodologias de trabalho? Sim, é bem provável. Porém, enquanto isso não ocorre deve-se evitar o pequeno delito moral.

Tudo que começa a desrespeitar a postura ética, cresce como cultura para desrespeitar a postura legal. É assim que começa; e o fim está no mal-estar gerado a milhares de brasileiros que tem sua dignidade ferida através de “carnes podres”, fundos desviados e todas as outras grandes corrupções que mancham as páginas dos jornais.

Para mudar isso é preciso buscar uma compreensão profunda da ética. O meio empresarial é onde ela mais terá reflexo nos outros, mas ela sempre partirá de dentro da reflexão interna de cada pessoa. Empresas são grupos de pessoas em primeiro lugar e a moral está ligada ao modo de uma pessoa tratar a outra considerando o respeito ou responsabilidade acima de tudo.

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