A humanidade é um ato de aprendizagem e esclarecimento

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Por Samuel Sabino

Ser um humano não garante a humanidade. Pode parecer uma afirmação ilógica a primeira vista, porém o que se tem por humanidade não é sinônimo de ser um humano, como pode se considerar em um primeiro momento. O humano é a condição base da espécie, que é dotada de liberdade de escolha e capaz do raciocínio lógico, mas não exclui o instinto e, nem mesmo, a posturas consideradas “inumanas”.

Hoje em dia se acostumou a falar que é desumano cometer atos que são prejudiciais ao próximo, como guerras, que prejudicam populações inteiras, ou mesmo atos de corrupção, que prejudicam grupos dentro de uma empresa ou governo. O caso é que o humano é capaz dessas coisas, e o que o impede, ou faz refletir sobre não fazê-lo, é sua humanidade, que não é uma condição inata. A humanidade é uma construção da evolução, fruto da consciente capacidade de escolher e raciocinar, porém apenas quando guiada pelo aprendizado e pelo esclarecimento.

A natureza escolheu os instintos para guiar a vida dos animais. Isso os acorrenta a sempre escolher os meios e os fins que atendam a um único propósito, a perpetração de sua espécie. Já os humanos também têm instintos, porém raciocinar e escolher está em nós, o que faz com que, por essa liberdade, nem sempre escolhamos os caminhos que perpetuaram nossa sociedade.

Na verdade, o que o humano geralmente escolhe é a preservação de si mesmo. Esse é o caminho da ética egoísta, que considera apenas o ganho presente, individual, e cujo nível de esclarecimento é baixo. Digo nível de esclarecimento no sentido ético, no sentido de continuação da espécie, da construção evolutiva que pode levar o ser humano além como raça.

Nascemos humanos e buscamos a humanidade através desse esclarecimento. Nascemos egocêntricos, viciosos, em estado de menoridade. Para sair disso é preciso escolher conscientemente a humanidade. O altruísmo, a virtude e a maioridade só vem com o aprendizado. Este por fim gera o esclarecimento.

Mas, porque buscar isso? Se somos naturalmente viciosos, por que buscar o esclarecimento? Por que se preocupar com o próximo? Basicamente por dois motivos; primeiro: por sermos detentores de dignidade, algo que é tão natural quanto ser um ser humano e; segundo: por sermos reclamantes dessa dignidade.

Isso quer dizer que quando a dignidade nos é tirada nós lutamos para reconquistá-la, para voltar ao estado de bem estar e felicidade. Por sermos sensíveis a perceber que somos dignos, se torna necessário que se alcance um estado onde a dignidade seja garantida, encontrando então esse estado de humanidade.

Mas, como se dá a passagem do mero humano para o humanizado? Justamente pelo esclarecimento advindo do aprendizado. Para aprender é preciso escolher, mas, sobretudo, com responsabilidade. Exatamente com esses atos que partem da ética nobre, que pensa no maior número de pessoas, o esclarecimento surge então conforme vamos nos sensibilizando com o outro, exemplo da empatia ou íntima compaixão.

No entanto, é possível alcançarmos outro caminho quando não pela empatia; pelo uso do raciocínio. Por ele se constrói princípios éticos e passíveis do uso da liberdade e escolha, como escolher, por exemplo, a ética nobre. Porém tudo começa com uma atitude de escolha consciente em abraçar essa habilidade humana de construir a humanidade. Sem usar isso estamos condenados, pois até os animais são compelidos a se preservar como espécie. Nós, sem escolher pela dignidade, estamos fadados a extinção e a um mal que destrói até o último de nós.

Forte abraço

Samuel Sabino

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O direito a mentir e a felicidade

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Por Samuel Sabino

Todo mundo mente. Algumas pessoas chegam a achar que a mentira é necessária e sustenta grande parte do convívio social. Normalmente apenas se diria que a mentira é má ou errada, mas o problema é que ela existe em situações ambíguas; onde há benefícios e malefícios, seja para o indivíduo mentiroso ou para o grupo enganado. A felicidade pode advir de uma mentira. Nada é preto no branco e é ai que entra a discussão ética, pois todos também querem ser felizes.

Não é esse o fim último da humanidade, buscar a felicidade? Isso levanta dúvidas difíceis de responder como: mentir é certo ou errado? Quando nos voltamos aos líderes, sejam eles de governos, de empresas, de grupos sociais, ela toma proporções ainda mais complexas, podendo constituir crime ou mesmo sustentar as crenças de muitos.

Em alguns casos específicos a mentira pode até mesmo ser aceita pela perspectiva ética. Obviamente quando existir com a finalidade de manter a dignidade, não ferindo a lei ou visando proteger a vida, por exemplo. Se uma pessoa chega à minha casa, fugindo de um criminoso que quer lhe fazer mal e eu a escondo, quando questionado pelo criminoso se ela estaria lá, especificamente nesse caso eu mentiria. A maioria das pessoas mentiriam.

Não é que haja mentiras boas ou mentiras más, exatamente. Existem consequências da mentira, e elas são boas ou más para um determinado número de pessoas e valores. Nesse caso, o valor é a vida, como valor máximo, e a consequência é o bem estar e a dignidade da pessoa escondida, aquilo que realmente se espera da vida. Percebe-se que em casos específicos, em prol da dignidade, a mentira é necessária.

Quando jogamos a mentira para a análise do olhar ético, ela assume essa dualidade. Se ela tem como fim último apenas vantagens pessoais ou imediatas e ainda fere a lei, ai sim, podemos julgá-la como antiética, potencialmente ilegal e consequentemente uma ação negativa, ou propriamente ruim.

A mentira nesses termos pode levar a muitas consequências negativas para a sociedade, já que geralmente ela não envolve apenas uma ou duas pessoas. Ela é uma das posturas antiéticas mais comuns. Ela vem do desejo de ter vantagem sobre o outro – a tal da ética menos nobre ou que pensa apenas em si mesmo ou no menor grupo de pessoas.

Vivemos em uma sociedade onde a mentira se torna cada vez mais inaceitável, considerando, sobretudo, líderes que são responsáveis por guiar o povo ao engano. Isso se aplica muito a condição atual da política e sociedade brasileira, que enfrenta escândalo após escândalo, investigação após investigação. Além de ilegal, a mentira do líder tem consequências catastróficas se tornada impune. Uma sociedade em que não se pode confiar está fadada ao colapso e isso começa por quem comanda.

Tome se como exemplo o caso da promessa: se todos mentissem a promessa perderia seu valor que, por sua vez, é o que proporciona confiança entre as partes. É o que entendemos como o bom e velho acordo entre as condutas. Você já parou para pensar se todas as pessoas ao mesmo tempo não confiassem mais nos bancos e retirassem simultaneamente os valores depositados em contas? Resultado: todos os bancos quebrariam em questão de horas.

Já na antiguidade, os filósofos gregos tinham como princípio que o ser humano era constituído de vícios e virtudes. Os vícios já nasciam com eles, enquanto que as virtudes eram ensinadas. Como seres viciosos, o erro, a mentira, a conduta inapropriada era algo natural, nos fazendo assim seres humanos incompletos; humanos para uma humanidade a se desenvolver.

Era através do esclarecimento que se aprendia e cultivava a virtude – extirpando os vícios quando identificados. Era através da virtude que se preservava a dignidade, pessoal e do próximo. Para Kant, filósofo da era moderna, isso era resultado de estarmos, como humanos, em uma menoridade moral. A maioridade viria com a prática ética. A saída de um estado para outro se dava exatamente no sentido de esclarecimento, verdadeira passagem para a maioridade.

Enquanto humanos nossas condutas geralmente se baseiam em dois princípios fundamentais de motivação para a conduta: ou agimos por empatia ou por respeito ao mero princípio ético. Quando agimos por empatia geralmente algum tipo de amor está envolvido e o fazemos por inclinação ao bem estar do próximo. Quando fazemos por ética pura, o que está enredado é o pensamento racional por onde é possível aplicar a moral pelo respeito ao princípio, mesmo que não se ame os envolvidos.

É a moral quem verdadeiramente sustenta a sociedade. A guia da conduta, mesmo quando se faz necessária a mentira, é a moral interiorizada. A barbárie se esgueira quando a ética falha ao não ser convidada ao protagonismo. É dever de todos meditarem sobre suas mentiras, sobretudo, os líderes que carregam vidas de muitos em sua responsabilidade. Para eles é de suma importância interiorizar a boa conduta, e do povo não tornar aceitável que se minta impunemente. A sociedade depende do peso e análise da ética, ou o futuro será a ruína.

Forte abraço

Samuel Sabino

Filósofo e Bioeticista

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EUA e Coréia do Norte: a falta de ética e a perda da humanidade

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Por Samuel Sabino

O mundo está à beira de um abismo. Pela primeira vez, desde a Guerra Fria, se considera com, risco real, o início de uma 3ª Guerra Mundial. A instabilidade, econômica e política, se deve principalmente ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Coréia do Norte. Recentemente, o chefe de estado da Coréia, Kim Jong-um, acusou os governos americano e sul-coreano de conspirarem para assassiná-lo.

Antes disso, a movimentação de um porta aviões americano para a Península Coreana foi encarada como uma provocação de guerra, sendo motivo de troca de ameaças entre as nações. Poderíamos escrever um livro com as informações sobre cada provocação e manobra realizadas pelos dois lados. Isso porque, as tensões podem ter se intensificado nos últimos meses, mas datam de muitas décadas.

A instabilidade se ampliou, em grande parte, por conta da subida de Kim Jong-un ao poder nos últimos anos e sua constante atitude provocativa. Para completar o quadro, as eleições norte americanas colocaram Donald Trump na Casa Branca, e este vem adotando cada vez mais posturas de incentivo ao conflito, já que ele prometeu “tornar a América grande novamente” e sua principal indústria é a da guerra.

Basicamente, a cada semana há uma nova atitude de provocação, ou de um lado ou de outro, todas imprudentes e que aproximam o mundo de um ponto de ruptura. Não coincidentemente, o início dos atritos entre Coréia do Norte e os EUA se iniciaram durante a Guerra Fria.

Na época, a Coréia se dividiu entre do Sul e do Norte, sendo uma parte apoiada pelos EUA e outra pela extinta URSS. Com líderes extremamente nacionalistas, ambos os lados começaram uma guerra para dominar sua outra parte e unificar o país, conflito esse que nunca terminou oficialmente, mesmo que hoje exista um cessar fogo motivado por receios de conflito com os aliados de cada Coréia.

Graças as mudanças geopolíticas, a Coréia do Norte se aliou à China, enquanto que a Coréia do Sul continuou sob proteção norte americana. Com a entrada dos programas nucleares da Coréia do Norte em cena, as tensões começaram a se ampliar até que nos dias atuais ameaçam iniciar a guerra nuclear que nunca se concretizou durante o último confronto entre os dois países.

Apesar desse conflito ter fatores históricos e muito antigos, a verdade é que os atritos só chegaram a esse ponto devido a total falta de ética dos atuais governantes de ambas as nações, algo que não era visto com tamanha proporção, desde a 2ª Guerra Mundial.

Atualmente, ele é considerado iminente justamente por causa da soberania de ambos os estados. Como a lei segue após a ética, ela considera apenas uma parte de uma postura digna. Quando a lei é criada pelo governo, raramente o governo é provado como criminoso, e todas as ações, inclusive provocativas para com outras nações, são consideradas legais e dentro da significância da soberania nacional.

O problema é que essas nações esquecem de levar em conta que a soberania nacional do outro país também existe e, por isso, não se pode fazer o que quiser. Na verdade, eles não se “esquecem”, apenas apontam armas nucleares uns para os outros e quem estiver no meio que seja dizimado por uma guerra pela qual não pediram.

Essa postura, sancionada pela lei, só poderia realmente ser parada se considerada a ética. A moral antecede a obrigação legal. A guerra nasce do abandono da moral, pois na guerra não se presa pela dignidade humana. É somente através da moral que se constrói a verdadeira humanidade e, quando se abandona isso, a lei é tudo que resta, os poderosos manipulam a lei a seu favor e o mais forte ganha sobre o mais fraco. Nos condicionamos ao mesmo patamar dos animais.

Foi em uma carta de Albert Einstein para Sigmund Freud, dois dos maiores pensadores de todos os tempos, que houve uma das mais importantes discussões sobre de onde vem a guerra e como impedi-la. A conclusão de ambos está justamente na aplicação da ética ao comportamento humano, de forma que ele se reflita no comportamento de uma nação.

É preciso abrir mão da liberdade de guerrear, para que haja a liberdade de viver. Ser humano é utilizar a capacidade de abstração, de evolução, para se libertar do instinto animal que presa pelo conflito e pelo controle do mais forte e fazer valer a igualdade advinda de um dos mais importantes instintos humanos, o de amar.

A ética é isso, aplicar racionalmente o amor à toda uma sociedade, pois se não é possível amar a todos, já que isso é utópico nesse estágio evolutivo do ser humano, aplicar o amor de forma racional, através do respeito ao outro, é a prática da moral, é a ética real.

A humanidade é algo que se constrói. Ela vem do esforço moral de conviver com o próximo respeitando sua dignidade. É somente através disso que se pode evitar a guerra. É uma atitude que começa e se encerra no indivíduo e se espalha para a sociedade à medida que se constroem humanos melhores.

Se os conflitos concretizarem uma 3ª Guerra Mundial, o mundo pode realmente regredir a épocas sombrias, onde a falta de ética pode levar a total perda da humanidade. A responsabilidade é de cada indivíduo na prática ética cotidiana.

Forte abraço

Samuel Sabino

Filósofo e Bioeticista

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O Preço da Corrupção – Nosso Programa-RIT

 

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Tivemos a oportunidade de falar sobre: “O Preço da Corrupção” no Programa – NOSSO PROGRAMA com Jaqueline no canal RIT.

Forte abraço

Samuel Sabino

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Século XXI: a era da intolerância aos intolerantes

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Por Samuel Sabino

Antigamente, pouco se questionava sobre as consequências de determinadas ações intituladas de “brincadeiras” que tinham como característica alguma demonstração de preconceito, ofensa ou degradação envolvendo alguém ou algum grupo. Termos como o Bullying não estavam na pauta diária e os limites para o que era considerado humor estavam fracamente conceituados. Simplesmente não se pensava nas consequências de tratar certos assuntos e grupos sociais como inferiores através de uma “piada”. Não se enxergava a opressão que roubava a dignidade. A postura moral era ignorada, alimentando, até inconscientemente, comportamentos nocivos.

Felizmente, vivemos em tempos onde o olhar em cima dessas situações se tornou crítico, mais esclarecido e mais atento aos erros passados. Muitos ainda dizem “o mundo está ficando sem graça” ou “tudo é polêmica”, mas a questão é que em diversos níveis é preciso que haja reflexão real e a maioria das pessoas já começa a se dar conta disso trazendo à pauta pontos que antes eram considerados “inofensivos”, mas que perpetuavam estereótipos, preconceitos e até mesmo crimes.

Com os tempos mudando, fazer uma piada com o antissemitismo, ou atrelada ao Nazismo em algum nível, pode parecer algo impensável, já que em relação a esse assunto há quase uma unanimidade quanto a absurdo que isso seria. No entanto, no começo de 2017, Feliz Kjellberg, o Pewdiepie, que é o Youtuber mais popular do mundo, com 50 milhões de inscritos em seu canal, mostrou em um de seus vídeos, dois indianos segurando um cartaz onde estava escrito “Morte à todos os judeus” e tratou a situação como uma piada. Como consequência, ele perdeu seu patrocínio com a Disney e com o Youtube, além é claro de milhares de inscritos.

Mas como se chegou ao absurdo de até mesmo isso ser considerado “piada” pelo Youtuber? Simples. A falta de ética na cultura vem tratando como inofensivas diversas posturas onde a dignidade é deixada de lado. É apenas uma questão de encadeamento do pensamento. Acostumados a abandonar a dignidade de um grupo para manter uma “piada”, aos poucos se chega a fazer o mais absurdo e transformar o ódio aos judeus em algo aceitável novamente. Não estou dizendo que por causa disso vai acontecer um novo Holocausto. Apenas que o reforço em uma cultura de preconceito evoluí, se aprofunda, e por fim faz vítimas. E é isso que já não é mais permitido hoje em dia. Não vivemos mais em uma época onde oprimir um grupo é algo que pode ser considerado “engraçado”. No pseudo humor do Youtuber, aquilo era algo divertido. No mundo real, foi preconceito e apologia a uma das maiores atrocidades já realizadas pela humanidade.

O debate correu solto pelas redes sociais e mídias, já que vivemos tempos de discussões sobre limites entre crítica, humor e perpetração de preconceito ou práticas nocivas. Hoje, já não é aceitável fazer “piadas” com negros, homossexuais, mulheres, por exemplo. A sociedade chegou a um ponto de consciência moral que entende como isso é prejudicial, como é ofensivo e venenoso, não só aos grupos alvo, mas a todos como seres humanos. Não se pode permitir que atitudes como essa fiquem impunes, porque o pensamento da sociedade está mudando, se alinhando à moral positiva.

O espaço para esse tipo de atitude já não existe e, cada vez mais, o debate saudável encontra limites construtivos para perpetuar a dignidade humana e o respeito. Como consequência, até as empresas estão mais cautelosas com relação a quem associam seu nome, fazendo com que não importasse para a Disney os milhões de inscritos do Pewdiepie e sim a imagem que ela estaria passando a seus consumidores se apoiasse essa postura. A ética ganha novo lugar nas relações empresariais porque ela já vem ganhando lugar de destaque nas relações sociais, culturais e, por fim, humanas.

Na história da humanidade sempre houve o opressor e o oprimido. O universo animal sempre se apoiou na lei do mais forte, porém, para os seres humanos isso não é válido, pois não somos apenas dotados de dignidade, mas  reclamantes da mesma e seres de raciocínio. A lei busca nos proteger, mas é na moral que somos defendidos dos erros passados e presentes que estão enraizados como cultura. O esclarecimento se conquista aos poucos e é podando atitudes como essa que se evita novos “Holocaustos”. A maioria das pessoas não sabe, mas a Eugenia, que inspirou as atitudes de Hitler, tem seu pai em Francis Galton, um inglês, e sua prática como um ato de “limpeza genética”, com direito a castração química, começou nos Estados Unidos pré Segunda Guerra.

O que se tornou um massacre partiu de ideias praticadas por grupos que mais tarde foram aclamados como heróis. Isso levanta a questão sobre onde começam ações hediondas e o cuidado que se deve ter na hora de manter e conquistar respeito e dignidade para o ser humano. Atitudes de violência à dignidade devem ser combatidas com esclarecimento, com ética, com mudança moral. A postura da Disney é louvável no sentido de transformar em empresarial as consequências da irresponsabilidade moral. Grandes ações de crueldade são evitadas com posturas tolerantes diárias.

Curiosamente, foi no pós Segunda Guerra, com o Código de Nurembergue, que o mundo começou a mudar. A passagem da era do consumo para a da informação, nos anos 1990, também foi um forte fator. Com isso passou-se a refletir em cima do poder que a impunidade dava aos intolerantes e isso nos levou a uma evolução histórica que está culminando nessa primeira metade do século XXI.

Quando a mudança é legal apenas, isso não se reflete no comportamento real da sociedade, mas quando o esclarecimento é moral e, por sua vez, gera ações éticas, se repensa o que aconteceu. As ideias de eugenia foram quase extintas. O acesso a informação gerou conhecimento e debate. Tudo como reflexo da compreensão de onde aquela postura levou a humanidade. Graças ao acesso à informação, trazido pela internet, o oprimido ganhou voz, se tornou protagonista e inclusive pode dizer ao opressor que atitudes pequenas como uma “piada” reforçavam culturas de perda de dignidade.

Hoje, se entende a necessidade de considerar o ser humano como fim último do esclarecimento como ferramenta de crescimento. O século XXI é detentor de uma sociedade intolerante à intolerância e esse é um dos primeiros passos para criar gerações mais conscientes, mais cheias de ética nas posturas. Está na informação da ética, a raiz motora de todo movimento igualitário e discussão que leva nossa sociedade a uma era de dignidade.

Forte abraço

Samuel Sabino

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Equidade e igualdade: somos todos iguais?

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Por Samuel Sabino

Não somos todos iguais. Na condição de seres humanos, ainda que nós existamos também como seres coletivos, nossa individualidade é grande parte de nós, e se manifesta em diversos aspectos de nossa própria existência, de forma positiva ou negativa. Esse é um dos motivos pelo qual se busca tanto a igualdade. O caso é que há mais a ser pensado do que apenas a busca da igualdade. Quando a desigualdade prejudica uma pessoa ou grupo nem sempre a busca por igualdade cobre todas as necessidades daquele indivíduo. Pode parecer um pouco polêmico e até complexo, mas na verdade é algo bem simples.

É comum em situações de opressão buscarmos igualdade, afinal o ser humano é dotado de dignidade e sempre busca conquista-la ou mantê-la, libertando a si e aos seus da opressão. Infelizmente é comum também que quando conseguida a igualdade, com o acréscimo de poder, o quadro se inverta e o oprimido passe a oprimir. Isso porque a ética nas ações requer certo grau de responsabilidade no cotidiano. Também é comum a distorção envolvendo a busca por igualdade. O que deveria ser a busca por uma equalização, muitas vezes é vista como busca por retribuição – gerando por si só a constante da desigualdade. Mais uma vez porque, a ética é complexa quando explicada, difícil quando vivida, e sobretudo aprendida.

É por isso que a igualdade enquanto conceito carece de um complemento, fazendo com que a ética seja funcional e plena em uma sociedade. Você conhece a palavra equidade? Deixe-me começar explicando os termos e suas diferenças. Ambas são ideias que podem ser aplicadas à conduta humana. São motivadores da vontade de fazer algo que equilibre um sistema e proporcione bem estar para todos.

O ser humano busca viver dignamente e plenamente. O desafio está em permitir que todos conquistem essa condição. A igualdade consiste em tratar todas as pessoas como iguais, independentemente do quão diferentes sejam. Esse conceito considera que todos somos iguais por princípio: pelo fato que somos todos irmãos diante de Deus, ou simplesmente de que todos somos detentores de dignidade. Já a equidade entende-se em sentido contrário: o diferente deve ser tratado de forma diferente. Primeiro porque as pessoas, de fato não são iguais, e segundo porque podemos considerar ou entender interesses individuais diferentes, considerando o início ou problema da desigualdade.

A verdade é que ambos estão corretos: tanto igualdade como a equidade. Somos diferentes, não nascemos iguais, não temos as mesmas oportunidades, não somos influenciados pelas mesmas coisas, tornando impossível querer que todos vivam em um mundo igual. Entretanto, somos todos humanos, seres vivos, oscilámos em mesma conservação (vida), bem estar (mal estar), felicidade (infelicidade) e o direito de ser. Acima de tudo temos direitos de ser tratados como iguais. Apesar disso, há aqueles que precisam de mais ou de menos em determinada situação. Vou citar um exemplo para ficar claro.

Uma senhora de 80 anos entra no ônibus. Existem alguns assentos preferenciais para ela, enquanto todo o resto da população divide os assentos comuns. Pela igualdade pura não deveriam todos os assentos serem iguais? Essa senhora precisa se sentar mais do que a trabalhadora mais jovem e cansada que entrou junto com ela? Bem, o caso é que sim. Não é apenas questão de “respeito aos mais velhos” ou “merecimento”; é questão de equidade, que deverá auxiliar a igualdade quando necessário.

A senhora por já ter vivido mais tempo pode até ser saudável, estar descansada, mas seu corpo já possui menos resistência do que o da jovem. As variáveis em ambos os casos são diferentes. A resistência nos braços da senhora para se segurar durante uma virada brusca serão menores e, portanto, maiores serão as chances dela cair e se machucar. Assim também serão maiores as chances dela se machucar gravemente, já que seu corpo já não se regenera de forma tão eficiente quanto o da jovem. Em uma queda o que seria um roxo na perna da moça, pode ser uma fratura no fêmur da idosa. Logo, elas são iguais em alguns pontos, são seres humanos, mas ambas com situações físicas diferentes, há vulnerabilidade. O princípio de redução de danos se torna fundamental para o convite da equidade depois que o da igualdade já foi estabelecido.

Mas então devemos tratar pessoas mais velhas como frágeis? Não exatamente. É preciso entender as limitações de cada situação, pessoa ou grupo. É necessário aplicar a equidade, mas tendo a igualdade como protagonista. Primeiro você trata de forma igual, a igualdade vem primeiro. Posteriormente para adequar as necessidades que ainda restam, aplica-se a equidade conseguindo um sistema realmente justo e balanceado. Quando o inverso é feito só se consegue desigualdade ou injustiça para a grande maioria. Para citar outro exemplo, suponhamos que há 10 pessoas com fome; você aplica a equidade antes, favorece aqueles que são seus amigos, os que particularmente gosta mais. Resultado: três pessoas bem alimentadas e até passando mal de tanto comer e sete pessoas com fome. Vemos isso em alguns modelos governamentais.

Ainda sobre modelos de governo: primeiro os políticos atendem aos seus; o que restar vai para a população. Agora, se a igualdade é aplicada primeiro 10 pessoas são alimentadas, porém, uma pessoa que precisa de menos comida para se satisfazer poderá receber um pouco menos em relação ao todo. Uma outra que precisa de um pouco mais poderá receber um pouco mais da diferença daquele que recebeu um pouco menos. É aqui que a equidade entra. Todos são humanos, todos serão alimentados, porém às vezes um precisa de mais e outro de menos. Equilibrando isso, dando o excedente de um para o que necessita de um pouco mais, ambos ficam igualmente satisfeitos.

E se não houver o bastante de alimento para todos? Nesse caso se divide o que tem de forma igual. O importante é a maior aproximação do bem estar e da dignidade ou a tentativa de redução de danos. Esse pode ser um pensamento visto como “esquerdista” ou “comunista”; ou qualquer uma dessas palavras cujos significados boa porcentagem das pessoas afirmam como modelo ideal ou justo para a sociedade. Mas, a prática ética não tem nada a ver com esquerda ou direita; comunismo ou capitalismo. Quem reduz isso a um “lado”, simplesmente não entendeu o sentido mais profundo da ética.

Forte abraço

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